psicólogo evidenciando os beneficios da terapia junguiana online

Sobre o autor

Lucas Castellani é psicólogo clínico, com atuação orientada pela Psicologia Analítica (abordagem junguiana).
Dedica-se ao atendimento de adultos, com foco em ansiedade, conflitos internos e processos de autoconhecimento.
Realiza atendimentos online, oferecendo um espaço ético, seguro e reflexivo para o desenvolvimento psíquico.

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Por que quanto mais eficiente você fica, mais distante de si mesmo você se sente?

Para quem observa de fora, a sua rotina é a tradução da competência e do sucesso. No entanto, por trás da alta eficiência, muitas pessoas convivem com um isolamento silencioso: a sensação de viver no “modo automático”, onde o corpo executa, mas a mente assiste à própria vida à distância. Compreender que esse distanciamento — seja como uma anestesia contínua no dia a dia ou como picos de estranheza após momentos de grande estresse — não é um defeito, mas uma armadura de proteção do seu sistema nervoso, é o primeiro passo para resgatar a vitalidade e voltar a habitar a própria história.

O sucesso que esconde a ausência

Para quem vê de fora, a sua vida é um exemplo de organização e competência. Você resolve problemas complexos, tem bom desempenho no trabalho, consegue organizar sua vida familiar e assume responsabilidades que a maioria das pessoas hesitaria em encarar. Mas, por dentro, a história é outra. Existe uma sensação constante de estar operando no “modo automático”.

É como se você estivesse presente fisicamente nas reuniões, no jantar com a família ou nos momentos de lazer, mas com a mente distante, assistindo à própria vida através de uma tela. O resultado disso é um cansaço mental profundo que nenhuma noite de sono ou período de férias parece resolver. Se você se reconhece nisso, saiba que isso é o que chamamos na clínica de dissociação leve em pessoas altamente funcionais.

As duas faces da dissociação no dia a dia

Na prática clínica, a dissociação não costuma se manifestar de forma caótica, mas sim através de dois padrões bem definidos:

O primeiro é a “Anestesia Emocional Contínua”, para dar conta de demandas ininterruptas, a psique desliga o sentir para priorizar o fazer. O indivíduo continua impecável nas suas entregas, mas relata um vazio constante e uma incapacidade de sentir prazer real com as próprias conquistas.

A segunda forma é a “Estranheza Pontual”, diferente da anestesia contínua, esta forma surge após um evento específico de alta carga emocional ou sobrecarga intensa — como uma negociação dura, um conflito inesperado ou uma briga de trânsito. Logo após esse pico, ocorre um “estalido”: a pessoa olha ao redor e sente um súbito distanciamento da realidade. O ambiente parece artificial, as pessoas parecem distantes e surge uma incômoda sensação de estranheza consigo mesmo.

Como aponta o psicanalista pós-junguiano Donald Kalsched: “O sistema de autoproteção da psique divide a experiência consciente para preservar o núcleo do indivíduo contra o colapso diante de afetos avassaladores” (KALSCHED, 2013, p. 42). Tanto a anestesia diária quanto a estranheza após picos de estresse são formas que a mente encontra para amortecer o impacto do ambiente quando o limite de processamento foi atingido.

Por que o seu cérebro criou esse mecanismo?

Entender a dissociação é compreender que ela não é uma falha de caráter ou fraqueza, mas sim um mecanismo de defesa altamente sofisticado. Quando você vive sob altos níveis de exigência e responsabilidade por muito tempo, seu sistema nervoso entende que estar vulnerável ou desacelerar é perigoso. Para garantir que você continue entregando o que esperam de você, a psique constrói uma “armadura de eficiência”.

Sob a ótica da neurociência contemporânea, esse fenômeno encontra respaldo no mapeamento das respostas do sistema nervoso autonômico sob estresse crônico:”Diante de estados prolongados de ameaça ou sobrecarga, o organismo pode acionar um estado de congelamento funcional, no qual a capacidade operacional é mantida, mas a percepção somática e afetiva é inibida” (PORGES, 2012, p. 89).O problema é que essa proteção, criada originalmente para garantir a sua sobrevivência e performance, acaba isolando você da própria vitalidade.

O trabalho como refúgio

Você já percebeu como é difícil simplesmente não fazer nada? Para quem vive sob esse funcionamento, a agenda cheia deixa de ser apenas uma demanda profissional e torna-se um escudo. No trabalho, existe uma ilusão de controle: para cada problema, busca-se uma solução prática. Já as emoções, as incertezas e o vazio existencial não aceitam o mesmo tipo de gerenciamento pragmático. No silêncio da pausa, as defesas baixam e a estranheza acumulada tenta vir à tona. Por isso, o indivíduo prefere inconscientemente a exaustão da rotina ininterrupta ao desconforto de encarar o silêncio.

Existe um caminho de integração

Viver anestesiado ou lidando com episódios frequentes de desconexão cobra um preço alto da sua saúde mental e das suas relações. O objetivo da psicoterapia profunda de orientação junguiana não é fazer você produzir menos ou perder a sua competência. O foco é ensinar o seu sistema psíquico que já é seguro desarmar a proteção. Através do processo terapêutico, torna-se possível:Compreender as origens da sua necessidade de autocontrole; Mapear e desativar os gatilhos que geram os picos de estranheza e anestesia;Desenvolver uma estrutura interna flexível, capaz de sustentar as suas responsabilidades sem abrir mão do sentir e da presença real na própria vida. A eficiência não precisa custar a sua saúde emocional. É possível voltar a habitar a sua história com inteireza.

Referências Bibliográficas

KALSCHED, Donald. O mundo interior do trauma: defesas arquetípicas do espírito humano. São Paulo: Paulus, 2013.
PORGES, Stephen W. A teoria polivagal: neurofisiologia da conexão, apego, comunicação e autorregulação. São Paulo: Editora Laszlo, 2012.

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O agendamento pode ser feito diretamente pelo botão de contato disponível no site ou por mensagem via WhatsApp. Após o primeiro contato, faremos uma breve conversa inicial.

Emito recibo para que o paciente possa solicitar reembolso junto ao seu plano, conforme as regras da operadora.

Caso tenha dúvidas sobre o processo de reembolso, posso orientar no que for necessário durante o agendamento.

O tempo do processo varia conforme as necessidades e objetivos de cada pessoa. A psicoterapia não segue um prazo fixo, pois respeita o ritmo individual e a profundidade das questões trabalhadas.

Cada sessão tem duração média de 50 minutos e ocorre, geralmente, uma vez por semana.

A terapia junguiana é indicada para pessoas que desejam compreender padrões emocionais, conflitos internos, crises de identidade, dificuldades nos relacionamentos ou que buscam aprofundar seu processo de autoconhecimento.

Sim. O atendimento psicológico online é realizado por videochamada, com a mesma seriedade, ética e confidencialidade do atendimento presencial.

Sim. A psicologia analítica valoriza o processo de autoconhecimento como caminho para maior integração da personalidade e amadurecimento emocional.

Os sonhos são compreendidos como expressões simbólicas do inconsciente. Na terapia, podem ajudar a ampliar a compreensão de conflitos, emoções e processos internos que não estão totalmente conscientes.

Não. Embora também acolha sintomas como ansiedade e conflitos emocionais, a psicologia analítica busca compreender o significado mais profundo dessas manifestações, considerando o desenvolvimento da personalidade como um todo.

Perguntas Frequentes

psicólogo junguiano especializado em psicologia analítica

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